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O futuro já está aqui

O futuro já está aqui

Estamos realmente preparados?
Diferentes gurus no mundo futuro e previsão de tendências afirmam que atualmente nos encontramos no topo de uma quarta revolução industrial, na qual os sistemas inteligentes formarão parte de nossa vida —em casas, fábricas, no campo e nas cidades—, abrindo espaço a novas profissões relacionadas com o desenvolvimento tecnológico. Estas mudanças que anunciam novos ventos no mercado de trabalho serão traduzidas em transformações de grande alcance no âmbito profissional, que requererão que a força produtiva se adapte às novas competências digitais.
Quando falamos de digitalização, vêm-nos à cabeça termos como startup, big data, programação, blockchain, bitcoin, inteligência artificial, automatização… Estes novos processos e modelos de organização e distribuição económica surgem como fruto da globalização, da crise financeira, da descentralização empresarial, da conectividade móvel, da transformação digital e da economia colaborativa. A perspetiva a médio prazo antecipa que muitas profissões nascidas ao abrigo da globalização do século XX desaparecerão, para dar lugar a diferentes e inauditas formas de produção, nas quais o emprego digital será um dos grandes protagonistas. Em todo caso, estarão diretamente relacionadas com o aparecimento de novos elementos como a aprendizagem inteligente, as redes 5G, a nanotecnologia ou a realidade virtual.

Como o emprego “tradicional” será afetado?
Um recente relatório elaborado pelo World Economic Forum confirma a tendência: a economia digital necessitará milhões de especialistas tecnológicos que ajudem a superar a lacuna existente entre os sistemas produtivos atuais e as novas formas de trabalho. Segundo os dados do relatório The Future of Jobs: Employment, Skills and Workforce Strategy for the Fourth Industrial Revolution, 65% das crianças que iniciam a escola primária hoje em dia terminarão a ter profissões que ainda não existem.
Num futuro próximo, os serviços digitais representarão um papel fundamental num ecossistema cada vez mais diverso, os perfis profissionais sofrerão uma polarização à medida que aumente a digitalização e — provavelmente— observaremos uma clara divisão entre os profissionais dedicados à evolução, aplicação e desenvolvimento direto da tecnologia, diante de novos perfis —também digitais— vinculados à implementação, gestão e evolução dos modelos de negócio, estratégias e mercados digitais.

Que novas habilidades serão requeridas pelo emprego digital?
Segundo alguns especialistas em previsão social e empresarial como Thomas Frey, autor do livro Communicating with the future, o perfil dos trabalhadores do século XXI requererá habilidades concretas, centradas na sua capacidade para otimizar processos já existentes. Devem ser pessoas que se possam adaptar constantemente à mudança, capazes de reconverter e desmantelar antigos modelos produtivos sem causar prejuízos e com uma alta orientação ao cliente final. Além disso, terão que ser especialistas na usabilidade e experiência do usuário, capazes de contextualizar o uso da tecnologia nos diferentes âmbitos sociais e preocupados pelo que deixarão às gerações futuras. Em suma, perfis analíticos, orientados às ciências, ao cálculo, à análise de grandes quantidades de dados, à computação… sem deixar de lado o humanismo, a ética ou a filosofia.