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Miguel Oliveira, o nosso trombonista

Miguel Oliveira, o nosso trombonista

Há quase 10 anos na MAPFRE ASISTENCIA, Miguel Oliveira, é mais uma das muitas caixinhas surpresa que nos complementam. Pedimos por isto que nos contasse um pouco de um dos seus muitos amores: a música.

Tocar um instrumento musical é uma coisa tardia na minha vida, embora a paixão pela música tivesse estado sempre presente e, por razões familiares, tivesse tido acesso a um vasto leque de formas musicais.
Na adolescência, grande parte dos meus amigos eram aspirantes a músicos, pertenciam a bandas “punk/rock” e alguns são hoje músicos profissionais. De referir que os meus gostos andaram muito à margem do mais popular da altura, não por uma demarcação própria da adolescência de maneira a vincar diferença, mas por influência do que ouvia em casa.
No final do século passado, a chegar aos 30, houve um momento chave que marcou a minha relação com a música, o qual foi decisiva no caminho que mais tarde me levou a tentar ser “músico” amador: a compra de um DVD com os 6 Concertos de Brandeburgo, de Johann Sebastian Bach. Vi-o repetidamente e de forma ávida. Nessa altura, os hábitos de ouvinte mudaram radicalmente e a chamada música “clássica”, melhor dito a música erudita ocidental, passou a ter um efeito eucalipto e secou tudo à sua volta. Durante anos não ouvi mais nada e passei a ir a todos os concertos que podia, a comprar CDs, DVDs e, imagine-se, a ouvir compulsivamente a Antena 2.
Com esta aproximação a sonoridades diferentes utilizando instrumentos que não os normais de bandas pop ou punk/rock, com a consciência de que embora apaixonado, o meu conhecimento formal era muito pobre ou mesmo nulo; tive por um acaso a oportunidade de dar aos meus filhos uma boa formação em música: inscrevi os 2 nas aulas de música da Banda Filarmónica de Carcavelos. As crianças 1º claro está e, mais tarde, os adultos perderam a vergonha e lá iniciaram também as aulas de solfejo.
Nas Filarmónicas o ambiente é fantástico, valemos pelo que tocamos e pela camaradagem, as origens socioculturais são muito diversificadas, os gostos e as faixas etárias, mas há uma coisa em comum: a música. Temos Médicos, Enfermeiros, Dentistas, Economistas, Psicólogos, Militares, Condutores, Estudantes, Músicos Profissionais, Terapeutas, Biólogos, Informáticos e, imagine-se, até um profissional de Seguros. O mais novo tem 11 anos e o mais velho 84 anos.   O nosso Maestro costuma dizer que na música o que custa são os 1ªs 20 anos, lá para 2029 já serei um instrumentista razoável. Fora brincadeiras o fundamental é o trabalho contínuo, aquilo que o público ouve num concerto é resultado de muito trabalho em conjunto e individual. Para chegar lá temos de passar semanas a “batalhar”. Por exemplo, podemos em alguns ensaios estar horas a passar 4 ou 5 compassos de uma obra.
Ao fim de 7 anos tocamos os 4 na banda: eu toco trombone de varas, a minha mulher clarinete, a minha filha oboé e o rapaz trompa de harmonia. Os ensaios são às 6ªs e aos sábados, com direito a saídas, arruadas, coretos, procissões, festas populares e feriados nacionais.
Verdadeiramente quanto maior contacto tenho com a música mais acho que pouco sei. Por isso, sempre que me perguntam se sou músico, respondo que não. Sou apenas um entusiasta.


Miguel Oliveira
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