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Em que consiste a holocracia?

Em que consiste a holocracia?

Já se imaginou num empresa em que não existem chefes, onde os colaboradores, organizados em pequenos grupos de trabalho semiautónomos e autorregulados, tomam decisões? Este tipo de organização numa empresa denomina-se  holocracia. Esta corrente, que se estendeu sobretudo nos Estados Unidos, caracteriza-se por ter uma estrutura de gestão plana, onde a autoridade está distribuída. Segundo os seus defensores, proporciona mais agilidade, transparência e participação.        

Impulsionada por Brian Robertson em 2007, estas novas regras, que regulam a forma de trabalhar, caracterizam-se por uma organização em círculos (em vez de departamentos ou equipas) e subcírculos que, quando têm de solucionar algo (ao que eles chamam de tensões), reúnem-se e elegem uma pessoa, a qual fica encarregada de desempenhar essa tarefa. Enquanto que nas empresas tradicionais cada colaborador se encarrega de realizar um trabalho, na holocracia um colaborador pode pertencer a vários círculos de diferentes níveis e realizar trabalhos distintos.

Uma pessoa é selecionada para ser  líder e outra como representante de um subcírculo serão os pontos de comunicação entre um círculo e um subcírculo. Este último é o que defende os interesses do subcírculo perante o círculo superior. As decisões são tomadas entre todos os membros de um círculo baseando-se nas contribuições realizadas e na ausência de objeções. A estrutura organizativa atualiza-se regularmente através de pequenas interações. 

 Atualmente, mais de 300 empresas e organizações adaptaram este sistema de trabalho. Uma das mais conhecidas é a popular loja online, especializada na venda de sapatos, a Zappos, adquirida pela Amazon em 2009, que contudo funciona de forma independente. Conta com cerca de 500 círculos.

Com a mudança, “a maioria das pessoas passaram mais tempo nas reuniões que antes. Com elas tomam-se as decisões de forma muito mais rápida”, explica Linh Nguyen, do departamento de marketing de Blinkit, outra empresa que integrou a holocracia.  Outra das vantagens, segundo conta Nguyen, é “a ausência de uma pessoa já não implica com o progresso. Toda gente sabe exatamente o que há a fazer tanto para manter como para melhorar o negócio”.

Nas reuniões táticas todos podem expor os seus pensamentos, preocupações e propostas para debatê-las, e isto permite incorporar todas as ideias de forma muito mais rápida, destaca Nguyen. “A holocracia também ajuda a ser uma organização mais feliz e unida. Tal deve-se ao facto de o sistema de círculos e papéis dado aos colaboradores dão um maior controlo e responsabilidade sobre o seu trabalho.  Agora todos se sentem muito mais como se estivessem no mesmo barco, remando na mesma direção”, explica.

Adotar este sistema supõe uma mudança profunda e pode ser um processo complicado sem um período de formação, sobretudo tendo em conta a reticencia de alguns colaboradores. Na Zappos, cerca 14% dos colaboradores decidiram seguir outro caminho por não estar de acordo.

Fonte: blog MAPFRE