NOTÍCIAS

A casa do futuro já está no presente

A casa do futuro já está no presente

Com algumas diferenças, os cenários que imaginávamos naquela época com as aventuras de Marty McFly e Doc Emmett parecem-se cada vez mais com o que vemos hoje nas casas do século XXI; estruturas que gradualmente vêm adotando a automatização ao seu funcionamento numa viagem sem retorno. Abre-se assim um universo de oportunidades, mas também de riscos aos quais o setor de seguros deve responder.

O conceito de domótica, formado pela união de domus (casa em latim) e tica, do grego automática (que funciona por si só), foi criado no início da década de 1970 quando, como projeto-piloto, onde apareceram os primeiros dispositivos inteligentes integrados em edifícios. Quase 50 anos depois, as casas digitais são uma realidade e cresce o número de lares ligados, onde é viável mecanizar e otimizar tarefas que tradicionalmente dependiam da ação direta do homem.

As possibilidades parecem quase infinitas e, entre as opções oferecidas pela tecnologia, as mais apreciadas são as que estão relacionadas com a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e os sistemas de gestão que comunicam todos os aparelhos eletrónicos da casa. Na prática, isto traduz-se num novo uso, por intermédio da rede de redes, de objetos como câmaras ou sensores que antes se conectavam apenas por circuitos fechados. Ainda que, por enquanto, a IoT tenha mais êxito em setores como o de saúde ou de controlo de infraestruturas urbanas, o aparecimento da etiqueta “inteligente” nas casas está a chegar com força graças a uma indústria que já a tornou rentável há algum tempo, a dos smartphones.

Inteligente, ecológico e eficiente

Há apenas alguns anos poderia parecer ficção científica, mas atualmente, graças a diversas apps, a partir de um telefone e com a utilização de câmaras, é possível vigiar crianças ou o interior de uma casa; controlar a temperatura do termómetro do forno na cozinha; acender e apagar lâmpadas, televisores ou o ar condicionado; ou calcular se falta água ou adubo nas plantas e se a humidade, temperatura e luz são adequadas. Frigoríficos que avisam quando os alimentos vão acabar, robôs de limpeza que começam a trabalhar no momento em que a casa está vazia, purificadores de ar que se ativam se o ambiente estiver carregado de partículas nocivas… Embora continuemos a usar os telemóveis para falar, estes estão a caminho de se tornarem o controlo remoto universal, e a lista de dispositivos que podem ser controlados a partir deles não para de aumentar.

Na China, o país que mais produz eletrodomésticos no mundo, as principais marcas apostaram há algum tempo em produtos e aplicativos que se ajustam ao trinómio inteligente, ecológico e eficiente… O passo seguinte é crescer na interconexão entre os próprios aparelhos. Falamos de um cenário em que, para alguns pode ser preocupante o fato de que, por exemplo, o frigorífico envie uma mensagem para o telemóvel do proprietário com os alimentos que este deve comprar para seguir uma dieta que, por sua vez, foi estabelecida por algum gadget que controla o estado físico em função do seu colesterol. A interconetividade total, embora tentadora, não será tão fácil de alcançar porque para isso a maioria dos fabricantes deverão fazer acordos, compartilhar informações e negociar padrões universais. De qualquer forma, este processo será um pouco mais lento, mas acontecerá.

Mais oportunidades… e mais riscos

De acordo com um estudo da consultoria norte-americana Gartner, em 2020, mais de 20 mil milhões de objetos estarão interconectados no mundo inteiro. O que aconteceria se algum desses sistemas fosse invadido e acedido com fins ilícitos?

Primeiro, os hackers focaram-se nos computadores pessoais; depois os vírus chegaram ao telemóvel e, recentemente, tem-se notado um aumento dos ataques a sistemas de controlo de veículos. As casas inteligentes estão também na mira deles e já existem evidências disso. Por exemplo, em Israel, um grupo de hackers denominados White Hat demonstrou a vulnerabilidade das lâmpadas de última geração atacando o sistema de iluminação de edifícios públicos e casas. Foi tão simples como passar com um carro (também poderia ser feito com um drone) a menos de 70 metros de uma das lâmpadas que estavam entre os objetivos. Isto serviu para infetar um primeiro dispositivo e “contagiar” em cadeia o resto, passando a controlar a instalação de luz e acendendo e apagando as luzes quando queriam.

Fonte: El Mundo MAPFRE